Quarto de oração vazio, púlpito sem vida

5 de agosto de 2019

Um homem ou uma mulher de Deus não recebe esse título porque entrega um sermão dentro das regras da Homilética ou mostra acurada técnica Hermenêutica em seu estudo das Escrituras. É preciso mais que isso!

A oração é um elemento fundamental para distinguir alguém como homem ou mulher de Deus. Pelas páginas do Santo livro é possível demonstrar que todos os homens e mulheres de Deus oravam constantemente: Moisés (Êx 32.11-14; 33.15), Elias (1 Re 18.36,41-46), Daniel (6.10), Neemias (1.4-11; 2.4; 4.4; 5.19; 6.9), Ana mãe de Samuel (1 Sm 1.9-18), Ana a viúva que não se apartava do templo (Lc 2.36-38). Paulo orava sem cessar. Dia e noite suas orações, súplicas e intercessões subiam a Deus (At 16.25; Fp 1.3-11; Cl 1.3,9-11).

Além desses exemplos podemos citar o maior deles: o de Jesus! O Senhor vivia sempre em oração ((Lc 6.12-16; Mt 26.36-46)). É interessante que Jesus não ensinou os discípulos a pregar, mas a orar (Mt 6.5-14). Ao enviar os doze ele disse: “Ide, ensinai”, mas para orar, disse: “vós orareis assim”.

Na história da igreja não foi diferente. Lendo-a veremos como o Senhor usou poderosamente homens e mulheres de oração. E. M. Bounds disse:

Aqueles que manifestaram de maneira mais perfeita possível a Cristo através de seu caráter, e têm afetado mais poderosamente o mundo a Seu favor, são os homens que gastaram muito tempo com Deus, até que isso se tornou uma das características mais salientes de suas vidas [1].

Homens como Charles Simeon dedicava a Deus as horas de quatro às oito horas da manhã. John Wesley passava duas horas diárias em oração. John Fletcher impregnou as paredes do seu quarto com o hálito de suas orações. Algumas vezes passava a noite inteira em oração; sempre, frequentemente, e com grande fervor [2].

Os ganhadores de almas e os pregadores de profícuo ministério foram pessoas de muita oração, e todos os grandes avivamentos foram precedidos e levados a cabo pela perseverança daqueles que prevaleciam em oração, de joelhos, sozinhos no quarto com Deus.

Lutero costumava orar três horas por dia e com isso quebrou o feitiço de séculos e colocou as nações cativas em liberdade. John Knox costumava passar noites em oração clamando a Deus dizendo: “Dá-me a Escócia senão eu morro!”. Finney costumava orar até que comunidades inteiras fossem tocadas pelo Espírito de Deus e os homens não pudessem mais resistir à poderosa influência. D. L. Moody, um dos maiores evangelistas de todos os tempos, deixou um grande exemplo de perseverança em oração quando certa feita disse: “Não oro mais que dez minutos. Porém, não me lembro de passar dez minutos sem orar.”

Mulheres como Susanna Wesley dedicava bastante tempo à oração. Não sem razão tornou-se a grande mentora de John Wesley, seu filho, que viria a ser o pai do movimento metodista. Jônatas Edwards costumava passar treze horas, todos os dias, estudando e orando. Sua esposa, também, diariamente o acompanhava na oração.

Lendo sobre esses grandes vultos da oração, percebo que há, em certa medida, uma valorização exacerbada de homens e mulheres que se apresentam bem em público, mas raramente se prostram diante de Deus em oração.

Precisamos realçar testemunhos como o que alguém certa feita testificou de João Hyde: “Muitas vezes [ele] não estava presente às refeições; quando eu ia ao seu quarto, encontrava-o caído de bruços, em grande agonia, ou andando de um lado para o outro como se algum fogo ardesse nos seus ossos” [3].

Com os quartos de oração vazios os nossos púlpitos ficam sem vida, sem alegria do Espírito, sem poder do alto e sem conversão dos pecadores.

Quando era menino media a estatura espiritual de alguém pela sua simples apresentação em público; mas as coisas de menino ficaram para traz.

Hoje, para reconhecer um homem ou uma mulher de Deus, preciso ter ciência se ele passa parte de seu tempo em oração diante do Senhor. Peçamos a Deus para sermos despertados a passar preciosos momentos em profunda comunhão com Ele, em Sua presença. Oremos!

Referências
[1] Disponível em: <www.monergismo.com/textos/oracao/segredo_oracao.htm>. Acesso em 29 de julho de 2019.
[2] Ibid.
[3] MCGAW, Francisco A. O Homem que Orava. Trad.: Orlando Boyer. 3.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983, p. 40.